Mostrando postagens com marcador hurtmold. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador hurtmold. Mostrar todas as postagens

5.9.08

O Hermano está só. Ainda bem.

Há pouco mais de um ano, quando os cariocas do Los Hermanos anunciaram que iriam entrar em hiato “por tempo indeterminado”, o mundo de milhões de seres dos cursos da área humana das universidades federais de todo o país veio abaixo. Instantaneamente convertidos em viúvas, os fãs da banda penduravam as sandálias de couro e coçavam as barbas pensativos, intrigados com uma questão que martelava suas (oh!) drummonianas mentes: E agora, José?



De fato, a luz apagou, a festa acabou, etc. Depois do divórcio, cada um dos quatro hermanos seguiu caminhos tão diferentes quanto assustadores. Entre bandas de hardcore, colunas no G1, tati-bitátis com ex-hypes novaiorquinos e novos e mais sebosos hippies, Marcelo Camelo findou saindo na frente. Logo ele, o discípulo mais fiel de Caê, de Chico e de Caymmi, o amigo da filha da Elis. Ele, o mais potencialmente chato, a quem coube toda a culpa de, com suas morenas e metáforas marítimas, ter estragado 4, disco que poderia ter passado para a crônica musical brasileira como canto de cisne definitivo de sua ex-banda. Ele, que uma vez tentou alfinetar o mainstream, mas levou porrada de Chorão e acabou no acústico de Sandy & Júnior.

Pois bem. É hora de aceitar os fatos. Sou, aguardado disco de estréia de Camelo, traz um dos melhores conjuntos de canções ouvidos esse ano.

Longe das limitações impostas por uma banda convencional de rock, o cantor se esbalda na lingerie, seguramente secundado pelos paulistas de vanguarda do Hurtmold. Na prática, isso se reflete em arranjos mais delicados e elegantes, ás vezes um tanto imprevisíveis, calcados não em um naipe de metais capenga ou em tecladeiras de churrascaria, mas sim em texturas melódicas criadas pelo esforço contínuo de uma banda preocupada somente em fazer a cama pra o que o cantor tem a dizer – e sem soar apagada ou deixar de emprestar um boa dose de identidade, frise-se.

Nessa quesito, aliás, Camelo não vai muito longe da matriz. Se ele aparece mais simpático na carnavalesca “Copacabana” (dos versos “O bairro do Peixoto é um barato/ E os velhinhos são bons de papo”), não tarda pra o cidadão tascar um “Solidão, foge que eu te encontro” algumas faixas adiante. O que, no fim das contas nem é necessariamente ruim. Eis aí Marcelo Camelo do jeito que sempre quis ser, mas nunca conseguiu enquanto frontman de uma banda que crescia em popularidade com proporções religiosas. E ora, rock mesmo ele nunca soube fazer – “Cara Estranho”, “Tão Sozinho” e o primeiro disco dos Hermanos estão aí pra não me deixar mentir. Sou (ou Nós, dependendo de como se lê na capa) no fundo é uma afirmação de identidade que, por acaso, vem a ser um grande disco.


P.S.: O lançamento oficial de Sou é no dia 08 de setembro (segunda-feira que vem, aliás), mas dez das catorze faixas já estão a solta na internet desde a semana passada, em trocentos links. Por exemplo, aqui.
P.P.S.:. Chupa essa, Daniel!

4.5.08

Não fuja da raia


Para você não passar o domingo aos cuidados do Faustão, nem começar a semana apodrecendo no orkut, eis uma pequena bula de indicações pinçadas de andanças recentes pela internet:

[[Blog]]: Brazilian Nuggets
O já conhecido blog Brazilian Nuggets continua a ser a melhor fonte de raridades perdidas do pop brasileiro. Veja você que na última atualização os caras tiveram o disparate de postar um disco de Damião Experiênça! Descendo um pouco a barra de rolagem dá pra achar umas bizarrices bem interessantes, como uma gravação de um show dos pernambucanos do Ave Sangria nos idos de 74 ou o disco de estréia do lendário trio de rock pauleira O Terço. Além dos discos disponíveis para download "de grátis", também traz bons textos que são verdadeiros verbetes de enciclopédia sobre as pepitas em questão. Curta essa lombra.

[[Site]]: Revista Wave
Revista eletrônica capitaneada pelo careta gente boa Daniel Faria, traz um punhado de textos interessantes sobre música, cinema, literatura, além de boas reportagens sobre esse Brasilzão sucateado de meu Deus. Na edição mais recente tem um texto supimpa do inominável Tiago Lopes sobre o escritor Cormac McCarthy, o homem que deu um Oscar aos irmãos Coen. Afunde-se na lingerie.

[[Site cabeçudo]]: Rascunho
Versão on-line do famoso jornal de literatura editado em Curitiba. Longas entrevistas, resenhas abalizadas dos últimos lançamentos e um monte de coisas a mais. Embora carregue um pouco pro lado acadêmico em alguns textos, vale (e muito) a visita. Tire a sua piteira da gaveta e se refestele.

[[Vídeo]]: Hurtmold - Sabo
Clipe novo (ou seria o primeiro?) do sexteto paulista, tirado do último e sensacional álbum dos caras, lançado no ano passado.